Concedo-lhes a honra de me conhecer: Sou Mary Cassatt e vim para revolucionar! Contar-lhes-ei um breve resumo de minha vida repleta de aventura.

Essa sou eu em 1914, aos 71 anos.

Tecnologia avançada essa de fotografia, viu?

Primeiramente, preciso dizer como vim parar aqui; Monet, um antigo companheiro e amigo descobriu que mesmo daqui do subterrâneo podemos nos conectar com essa tal de “internet” (é esse mesmo o nome?) que tanto os jovens tagarelam por aí. E então foi em busca do microcomputador… Mas essa história ele próprio já contou. Continuando… outro dia encontrei entre essas terras úmidas daqui de baixo um pequeno aparelho celular, jamais saberia o nome, se não tivesse vindo junto a uma folha de papel com nomes estranhos e seus significados, indicando como utilizar a tal máquina. E então, fui fuçando, apertando, digitando e me conectei num chat. E quem encontrei por lá? Era ele mesmo pessoal, Monet, que automaticamente se chocou e contou-me a história da internet wi-fi subterrânea. Após uma difícil conversa “digitada”, meu grande amigo me fez o convite de vir-lhes falar um pouquinho sobre minha vida e minhas singelas obras.

Bom, como sabem me chamo Mary Cassatt e sim sou mulher! Sou uma das poucas artistas que levaram crédito por suas obras e me orgulho plenamente por esse feito, Berthe Morisot é uma colega que também participou desse período, mas não sei muito sobre tal.

Sou filha de Robert Simpson Cassat, meu pai foi um rico e influente homem de negócios em Pittsburgh, e Katherine Kelso Jhonson, uma grande mulher; ambos de ascendência francesa, falecidos como eu. Nasci em  22 de Maio de 1843 na cidade Château de Beaufresne (perto de Paris). Tive sete irmãos, dois morreram precocemente, infelizmente.

Passei minha infância entre os Estados Unidos, França e Alemanha. Fui muito bem educada, e com o tempo me apaixonei pelas obras européias, até que então, ainda adolescente, me matriculei na Academia de Artes da Pensilvânia, na Filadélfia. Minha família não aceitava minha maior vontade: tornar-me pintora profissional. E por isso parti aos 23 anos para Europa, junto a uma amiga, para estudar em ateliers particulares de pintores como Charles Chaplin (esse mesmo que estão pensando!), Thomas Couture e Jean-Leon Gerome, e muitos outros.

Em 1868, enviei a Paris uma de minhas obras da época, fui aceita e então parti novamente. E foi lá que abracei o estilo de pintura chamado Impressionismo.

Em minhas pinturas uso cores fortes e brilhantes. Faço com que a luz pareça estar atingindo a superfície e refletindo fora dele. Como nesta pintura que fiz:

O quadro chama-se “Woman With A Pearl Necklace In A Loge”

“O ambiente feminino burguês está sempre marcado na sua obra, e a sua descrição da figura humana em óleo, pastel e ponta-seca são de uma técnica precisa e realista, representando as tonalidades da carne e das expressões faciais com uma impecabilidade excepcional.”

É assim que descrevem minhas obras, e eu concordo com vocês!

Geralmente desenhava cenas do cotidiano. Mas sempre gostei do afeto das mães, por seus filhos, por isso centrei-me em capturar os momentos de ternura partilhada pela mãe e criança. Talvez isso se dê ao fato de que nunca tive filhos. Com esse meu lado feminista, poucas vezes representei figuras masculinas. Como poderão ver nas poucas, das muitas obras que fiz, a seguir:

After the Bath

Breakfast in Bed

Mother and Child

In the Box

Child in Bonnet

Vejam também um vídeo que encontrei por aqui:

Em 1874, quando resolvi me mudar definitivamente para Paris e enfrentar cara-a-cara a então capital mundial das artes e o concorrido mundo dos pintores profissionais. Fui rejeitada diversas vezes, até que em 1878 conheci meu parceiro (até de blog) Degas, com sua influência tornei-me membro do grupo original, ao lado de Monet, Morisot, Renoir, Pissaro e o próprio Degas, entre outros. Degas se tornou meu mentor e me ajudou a crescer no mundo da arte. Ajudei a promover os trabalhos de alguns colegas e até mesmo a comprá-los.

Após um período, passei a não mais participar de eventos, comecei a recusar prêmios e menções e a participar de mostras de artistas mulheres, pois não acredito em tal separação ou exclusividade, dizendo que em arte não deve haver tal distinção. Mulheres, homens, crianças, adultos, idosos, todos tem direitos iguais perante a arte.

Mesmo com a desintegração dos Impressionistas, continuei fortemente ativa no mundo das artes, atuando como colaboradora na criação de coleções particulares de obras impressionistas, etc.

Minha vida foi repleta de expressões, vivi bem, mas tinha um problema na visão: Catarata, assim como Monet. Ao fim de minha vida sofri de diabetes e a partir de 1915 fiquei praticamente cega, sem poder trabalhar até minha morte em 1926, solteira e sem filhos, em meu château em Beaufresne. Fui o penúltimo membro do grupo original dos Impressionistas a falecer, poucos meses antes de meu caro amigo Monet.

Mas olha só o que o destino nos pregou, nós aqui reunidos. Falecidos, porém dificilmente esquecidos!

Bom, vou ficando por aqui. Cansei de navegar na internet, estou quase ficando com náuseas… Esse oceano é muito movimentado. Deixo aqui minha história, espero ter ajudado. Beijos e abraços aos colegas também infiltrados no blog. E mais uma observação, hoje(15/06/2011) acontecerá o eclipse lunar, não percam. Apreciem por mim!

 

 

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