Bonjour pessoas do mundo superior! Meu nome é Edgar Degas e estou invadindo o blog do meu amigo Monet! Invadindo não, porque ele permitiu que eu entrasse aqui para tentar amenizar meu tédio!

Bom, nasci em 19 de julho de 1834, em Paris.  Sou filho de René Auguste de Gas e pertenço a uma família da alta burguesia. Assim que ingressei no Lycée Louis Le Grand, comecei a perseguir meu sonho chamado “Arte”.  Eu não gostava de pintar muito na minha escola, pois tinha consciência da minha posição social, até porque meus  pais me lembravam disto a todo momento. Fui um importantissimo pintor para a França.

Em uma de minhas viagens à Itália, mantive muito contato com as obras de Rafael Sanzio, Leornardo da Vinci, Michelângelo, Andrea Mantegna, entre outros. Durante esta mesma viagem, concebi um dos meus melhores trabalhos:  “Retrato da família Bellelli”, quadro cuja preparação me roubou mais de dois meses, tendo esboços de todos os membros dessa família aristrocrata.

Retornei a Paris e passei a visitar várias vezes o Louvre, onde estudava milimetricamente as obras de Delacroix e Dominique Ingres, este último que por sinal é idolatrado por mim. Com tudo isto, conheci um homem que se revelou meu grande amigo e que marcou minha vida até o final de meus dias neste mundo superior: Edouard Manet. Daí então, começou de vez, meu impressionante percurso artístico.Minhas pinturas, inspiradas ou cópias das obras dos procedentes pintores,  começaram a encarar o sucesso e foram aceitas no Salon. Passei então, a ser reconhecido como um convencional e eclético pintor parisiense do Salon.

Porém,  em 1870, algo em minha vida mudou, quando foi preciso que eu servisse a Guarda Nacional em defesa de Paris, na Guerra Franco-Prussiana. Estava junto de Henri Rouart, que se instalou comigo na casa dos Valpiçon, amigos de minha família.

Depois da Guerra me retirei para Nova Orleans com meu irmão René , procurando um descanso. Ali concebi um vasto número de trabalhos antes de poder retornar a Paris, entre eles: “A Bolsa de algodão de Nova Orleans” e O pedicuro” , que é classificado como um dos mais incansáveis estudos da vida quotidiana proferidos por mim. Regressei à minha cidade natal no ano de 1873, depois de permanecer cerca de cinco meses nos EUA.

Depois de tantos anos dedicados à pintura eu quis experimentar uma nova ocupação. Vendo-me em favorável posição social, tive acesso às mais contemporâneas tecnologias e modas. Recentemente inventada, a Fotografia também me atraiu, mas por pouco tempo. Com minha opinião conservadora reinventei-me como colecionador de arte e comprei vários trabalhos de Paul Gauguin, Van Gogh e Paul Cézanne, o que demonstra minha aptidão para escolher tons vivos e fortes e a força que estes exercem sobre mim. Crieiuma colecção que hoje possui um imenso valor comercial.

Sempre tive muita estabilidade financeira, até o momento em que meu pai faleceu. Herdei algumas dívidas e me vi na obrigação de vender minha colheção de arte. Mesmo assim, não deixei de parte os meus luxos, incluindo meus criados, que eu adorava retratar. Perante esse acontecimento, eu precisava de ajuda para concretizar minha exposição onde eu iria exibir minhas pinturas. A princípio, a exposição era um acontecimento simples, que não deveria chamar muita atenção porém, acabou sendo a Primeira Exposição Impresionsista. Protagonizei mais de sete exposições e participei plenamente de todas elas. Depois destas exposições o mundo havia, de certo, mudado. As pessoas renovaram sua visão de arte e foram se acostumando com aquelas pinturas que tinham como imprudenes, escandalosas e até mesmo imorais. De fato, nós impressionistas fomos mesmo revolucioários: revolucionamos a maneira muito conservadora de ver a arte, mudamos a visão naturalistas que as pessoas tinhm do Mundo que as rodeava e demos o primeiro passo para a Arte Moderna.

Este quadro “A banheira”  é um dos mais importantes e representativos trabalhos meus. Como de costume exibe uma gama de inspirações que se revelam entre meu ídolo, Dominique Ingres e o meu próprio estilo. Para além disso, este é dos poucos quadros em que eu trabalho uma paleta de cores impressionistas e partilho um estilo um pouco semelhante ao de Manet.

“Prima Ballerina” ou “A primeira bailarina”

Bom, sou considerado vulgarmente como um impressionistas, portanto, tal afirmação revela-se um erro, visto que eu  nunca adotei o leque de cores típico dos impressionistas, proposto por Monet e Boudin e, além disso, desaprovei vários trabalhos dos mesmos. Eu misturava o estilo impressionista – inspirado em Manet – com inspirações conservadoras, com bases assentes na Renascença italiana e no Realismo francês. Mas à semelhança de muitos modernistas – desta época ou de outras, veja-se Matisse, que viveu posteriormente -, inspirou-so muito nas odaliscas de Dominique Ingres.

Na primeira exibição impressionista, constava na lista que havia ali obras minhas expostas. Minhas obras reuniam uma gama de influências vastas e sem semelhança, onde sobressaiem as gravuras japonesas e os torneados humanos de Dominique Ingres. Como é de notar os meus quadros não surpreenderam tanto como os de Monet, por exemplo. O público não se espantava tanto com as minhs pinturas. Eram tão mais delicadas que as outras que, quem as via lembravan até da pintura histórica, dos grandes mestres italianos e do encanto dos franceses do setecento. Fiquei muito conhecido por pintar bailarinas, cavalos, retratos de família ou individuais, cenas do cotidiano parisiense e cenas domésticas. Todavia, durante algum tempo apliquei-me a pintar as tensões maritais, entre homem e mulher. Na década de 60, adquiri finalmente o estilo que me tornou famoso e diferente dos meus colegas: a pintura histórica. Apesar desse particular, não deixei de continuar a pintar as cenas de ópera e concertos, mulheres e bailarinas.

Um particular interessante em minha pintura é o fato de conceder a cada personagem dos meus trabalhos, uma atmosfera brilhante e eclética que faz com estas pareçam reais, móveis, tocáveis, inexplicáveis.  Eu era, modestamente, um mestre da pintura. 

Devido à minha brilhante técnica, hoje, minhas pinturas são algumas das mais procuradas pelos compradores de todo o Mundo.

Contudo, minha reputação viria a mudar depois da concepção de Place de La Concorde. Enquanto meus antigos quadros surgem com bastante dinamismo, a composição deste não permitiu tal coisa. As figuras deslocavam-se vagarosamente – o que é óbvio pois eu estava representando um passeio. Existe uma quase ausência de personagens na praça parisiense. Figuram duas meninas que não se sabe a quem pertencem, de onde vêm nem para onde vão. Demonstram um sorriso implacável e constrangedor, comparável ao de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Dois velhos de cara triste, deambulando com cortola posta, e barba arranjada, muito ecléticos. Parecem infelizes. E esta atmosfera triste realça-se mais com os trajes dos personagens, cinzas ou pretos. Não sei ao certo como reagiram as pessoas ao verem este quadro, mas sei que ficaram eternizadas as expressões de cansaço no público. Todos pareciam tristes ao ver a obra. Eu já não era a mesma coisa.

“A pequena bailarina de catorze anos”, escultura forjada em bronze a partir da imagem em cera exibida na Mostra Impressionista de 1881.

E depois de “A pequena bailarina de catorze anos“, foi marcado o início da minha independência do grupo dos impressionistas. Deixei-os para trás. Aquilo para mim era somente uma brincadeira, com a qual me tornei reconhecido na Europa.

Ao exibir esta escultura deixei os meus colegas chocados . A bailarina representada era um dançarina da Ópera que eu conheci cuja família era miserável, tendo mesmo uma irmã prostituta. Ela estudou balé até os dezesseis anos, já depois eu esculpi-la, até que teve que se prostituir para conseguir viver. Escandalizado, fiz com que a bailarina muito jovem se deixasse desenhar. Comecei com um simples esboço, depois as telas e depois, uma escultura revolucionária que viria a mudar o mundo. Fiz a bailarina com o propósito de deixar bem marcados na cera (material com que a esculpiu) os seus sentimentos face àquela miséria fútil, na qual viviam milhares de parisienses. A sua face mostra o árduo trabalho com o qual conviveu.

Ao exibí-la, chocados, todos perguntavam o porquê de estar ali exposta aquela escultura. Aquilo comovia a sociedade, remexia-lhes o peito, fazia-os tristes, não queriam olhar. Por outro lado, esta escultura foi o primeiro trabalho nesta área da arte que incluiu uma roupa real, desta feita uma saia.

A partir daí, o Mundo começou a refletir sobre aquela pessoa que se atreveu a provocar a sociedade: eu. Fui de algum modo, rejeitado e até mesmo humilhado. Mas ninguém pode esquecer que mudei a visão conservadora e eclética do mundo, e não me esqueci de tornar públicos os problemas deste. Anos mais tarde, essa minha famosa escultura tornou-se um ícone da Arte.

Mosdéstia a parte, é impossível é deixar de referir que fui um dos maiores revolucionários da arte do oitocento e de todos os tempos.
Creio que aprenderam um pouco sobre minha história e sobre quem eu sou. Já fazem alguns anos que faleci, em Paris mesmo. Hoje não sou nada além de um ser do mundo subterrâneo, entendiado e a procura de algo para ocupar meu tempo. Ainda bem que Monet deixou que eu me abrisse um pouco com vocês. Prometo que farei isso mais vezes. Obrigada por me ouvirem. É bom conversar com pessoas de verdade e não com vermes, que foram meus ouvintes por muito tempo. Até mais! Fiquem bem e aproveitem enquanto são feitos de carne e osso!
Au revoir!
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